cascas de banana com riscos
esferográfica azul-marinho
espinhas de solha envoltas num jornal
dentadura postiça lavada em lágrimas
ferro fundido às rodelas
carreiro para formigas
meia perna de pau
cuco a rasar pagela
tic-tac, tic-tac, tic-tac
aqui há vida
pilha
pode não ser tua
nem minha
mas é espelho gasto de outras
pilha
vê se me vês
para contares quantas palavras arderam
entre elas, entre elas, entre elas
serei eu e muitos mais.
terça-feira
segunda-feira
outro lado
rascunho de rio
fi-lo
em prata
navega meu corpo
esbarra nos juncos
pelo rascunho da margem
fi-la
a pensar em ti.
fi-lo
em prata
navega meu corpo
esbarra nos juncos
pelo rascunho da margem
fi-la
a pensar em ti.
quarta-feira
memórias pluviais
há uma escada que leva o seu tempo
num sorriso cariado
haverá chumbo
chumbo no coração
há quem suba
ora demais, ora nem assim tanto
já dizia a minha tia Tomásia
o amor é uma vertigem das nuvens.
num sorriso cariado
haverá chumbo
chumbo no coração
há quem suba
ora demais, ora nem assim tanto
já dizia a minha tia Tomásia
o amor é uma vertigem das nuvens.
terça-feira
a amiga e os fungos
a mulher chorava
sua cadela havia morrido
quem lhe iria lamber as lágrimas?
tudo tinha feito
biscoito do melhor osso importado
ou puro cubano “made in China”
por ela
iria a Meca
bateria no Muro
mas nem deu tempo de avistar a primeira placa para Fátima
num acto de compaixão
aliviara as dores com água benta
bendito suborno ao sacristão
noites infindáveis
de poesia sem colesterol
não fosse Celeste enjoar
mas já era tarde
partira
dizem que a causa foi pata de atleta.
sua cadela havia morrido
quem lhe iria lamber as lágrimas?
tudo tinha feito
biscoito do melhor osso importado
ou puro cubano “made in China”
por ela
iria a Meca
bateria no Muro
mas nem deu tempo de avistar a primeira placa para Fátima
num acto de compaixão
aliviara as dores com água benta
bendito suborno ao sacristão
noites infindáveis
de poesia sem colesterol
não fosse Celeste enjoar
mas já era tarde
partira
dizem que a causa foi pata de atleta.
sexta-feira
variações
no lugar que me resta
no lugar que me abriga
só a mente afunda
só a solidão quebra
peço desculpa pela previsibilidade
mas a minha lua já não trinca madrugadas
a maresia?
morreu na praia cansada de atropelar rugas
porém, traço-me sem linhas
peço desculpa pela incongruência
certezas?
quem dera
talvez arrisque
talvez oiça
o lugar que me resta
o lugar que me abriga
talvez devolva
a mente
a solidão
mesmo assim
retracto-me em retrato
num instante a preto e branco
cinza foi pavor
um dia
meu estrume será.
no lugar que me abriga
só a mente afunda
só a solidão quebra
peço desculpa pela previsibilidade
mas a minha lua já não trinca madrugadas
a maresia?
morreu na praia cansada de atropelar rugas
porém, traço-me sem linhas
peço desculpa pela incongruência
certezas?
quem dera
talvez arrisque
talvez oiça
o lugar que me resta
o lugar que me abriga
talvez devolva
a mente
a solidão
mesmo assim
retracto-me em retrato
num instante a preto e branco
cinza foi pavor
um dia
meu estrume será.
terça-feira
mímica
é nas palavras não ditas que me invento em fuga
ora como quase fui
a anos pus
do meu rosto
num afago à lua
caído aos pés
aos pés de uma boca.
ora como quase fui
a anos pus
do meu rosto
num afago à lua
caído aos pés
aos pés de uma boca.
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