terça-feira

ofertada

nem ouro, nem mirra, nem coentros
quatro borbulhas se tanto
o diabo há-de esfregá-las
na cauda de um cometa
enquanto voa um bom pastor

vá que o verbo não venha
a puta ainda fica apeada
conta cinco botões pelo chão
rosa, lindos e amestrados
batem palmas aos mamilos

ai, ai, ai,
querem ver uma unha encravada?
cuspam sem temor
a mim
meus caros
ninguém engolirá

vá que o verbo não venha
ao quinto, sexto e sétimo dia
fui de retro
fui de mar
no fundo
agarrei a onda pelos cornos

a puta ainda gritou:
espere por mim

apanhe outra esquina e mais botões.

segunda-feira

aos pulos, aos pulos


era ninguém e só por ser ninguém comeu um pouco de lua. indigesta, fez-lhe arrotar manhãs avulsas. agora, diz-se arrependido. pudera. nada como um bom sapo.

sexta-feira

a trilhos


não havia mais e nem tão pouco quiseram pedir que assim contrário fosse. ergueram-se as línguas para tocar o céu. um perdeu o pé direito. outro nem soube o que lhe restara. das cócegas fez-se chuva. no caminho, findou a certeza, jaz como alga um caso de amor esgotado.

quarta-feira

Quando rebentares

Dar-te-ei um oceano
Que Deus não saiba
Nada
Pelas vagas
Abrirás caminho
Irão contigo
Até aos olhos
Do cu
Que Deus não abra
Nada

sexta-feira

"o futuro a Deus pertence"


ele trouxe, juntamente com a alma, um abat-jour. Só assim conseguiria enfeitar o que à língua lhe haviam colado. uma palavra, sem pé para andar de ouvido em boca, desmaiou mal os raios o atingiram. seria amor? ninguém testemunhou. o tempo fundira-se com a miopia. talvez um dia chegue. talvez a cura.

quinta-feira

segunda-feira

de todas as cores


o peixe entrou pela janela
sem escamas abracei
até morrer de asfixia

a lua entrou pela boca
sem quartos devorei
até morrer de asfixia

já morto
nado no céu

mariposa, para que vos quero engarrafar?