Há um Deus
faz cócegas no pé
e rio da margem
Há um Deus
canta ao ouvido
vintém feito jukebox
Há um Deus
molde das rugas
carreiro para gotas de chuva
Tenho Deus
na unha encravada
penso
logo higiénico.
quarta-feira
Canção quase deprimente
Peço à porta que não abra
Peço desculpa pela madrugada
E fico só
Tão só
Peço ao cigarro uma nuvem
Peço silêncio em disco riscado
E fico só
Tão só
Peço às alminhas que forniquem a minha
Peço perdão na prótese mamária
E fico só
Tão só
Onde estão os dentes outrora cariados?
Onde pára o semáforo?
Perguntas?
Mais perguntas eu peço.
Peço desculpa pela madrugada
E fico só
Tão só
Peço ao cigarro uma nuvem
Peço silêncio em disco riscado
E fico só
Tão só
Peço às alminhas que forniquem a minha
Peço perdão na prótese mamária
E fico só
Tão só
Onde estão os dentes outrora cariados?
Onde pára o semáforo?
Perguntas?
Mais perguntas eu peço.
segunda-feira
Holograma
Pus na garganta
Mão trémula
Cigarro cai desamparado
Nas maçãs podres
Tráfego de abelhas
Finjo não atropelar
Cabeça sem cepo
Vejo-o tal e qual
Cepo sem raiz
Finjo não reparar
Alguém ouvira:
- A genialidade resume-se a um bom assado de borrego.
Mão trémula
Cigarro cai desamparado
Nas maçãs podres
Tráfego de abelhas
Finjo não atropelar
Cabeça sem cepo
Vejo-o tal e qual
Cepo sem raiz
Finjo não reparar
Alguém ouvira:
- A genialidade resume-se a um bom assado de borrego.
sexta-feira
Canção do inferno
Vou contar-vos um pouco
Um pouco de mim
Nem sonham o quanto pequei
Para chegar aqui
Deus fora
Nada vivo
Deus fora
Dia quente no alpendre
Lábios queimados
No beijo ao leite-creme
Tudo é caramelizado
Sirva-se uma fábula
Sou alpinista
Escalo pilha de nomes
Adense-se o mistério
Sou transformista
Dêem-me lantejoulas
Há festa dos pés de barro
Em memória daqueles santos passados
Há orgias com manetas e pernetas
Pois são todos meus filhos
Sou costurado a cicatrizes
Foram partos difíceis.
Um pouco de mim
Nem sonham o quanto pequei
Para chegar aqui
Deus fora
Nada vivo
Deus fora
Dia quente no alpendre
Lábios queimados
No beijo ao leite-creme
Tudo é caramelizado
Sirva-se uma fábula
Sou alpinista
Escalo pilha de nomes
Adense-se o mistério
Sou transformista
Dêem-me lantejoulas
Há festa dos pés de barro
Em memória daqueles santos passados
Há orgias com manetas e pernetas
Pois são todos meus filhos
Sou costurado a cicatrizes
Foram partos difíceis.
quarta-feira
Caça prato
Comigo
tristeza tem sossego
junto ao corpo que pediu
Comigo
não suspira vida
por vida tão amarga
Comigo
falo em camadas
betão, ferro e um pouco de pele
Por nós
boca expulsa uma linha
tem cheiro a podre
Em nós
confunde-se desejo
feito de sombras
Venham os biombos
Assiste
deixa-me ser o teu pato bravo
Fixa
Decora-me com rodelas de laranja.
tristeza tem sossego
junto ao corpo que pediu
Comigo
não suspira vida
por vida tão amarga
Comigo
falo em camadas
betão, ferro e um pouco de pele
Por nós
boca expulsa uma linha
tem cheiro a podre
Em nós
confunde-se desejo
feito de sombras
Venham os biombos
Assiste
deixa-me ser o teu pato bravo
Fixa
Decora-me com rodelas de laranja.
sexta-feira
quarta-feira
Finito
Já tentei
Asfixiar magnólia num frasco de perfume
Só depois notei que cheirava a ciúme
Não serei como Maria
Vaso espiritual
Já tentei
Arquivar promessas no meu corpo
E por momentos vi uma mão engolida
Não serei como Maria
Torre de marfim
Já tentei
Não me tento mais.
Asfixiar magnólia num frasco de perfume
Só depois notei que cheirava a ciúme
Não serei como Maria
Vaso espiritual
Já tentei
Arquivar promessas no meu corpo
E por momentos vi uma mão engolida
Não serei como Maria
Torre de marfim
Já tentei
Não me tento mais.
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